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Arquivo da categoria ‘Crônicas, Contos & Ladainhas’

Incompleta

Sei que um dia ela olhará pra tudo isso e morrerá de rir. O quanto os olhos dela brilham quando fala nele. Ontem a noite foi uma criança phoenix, ressurgiu de um pózinho guardado em algum lugar no coração. Não que faltasse amor, faltava era paixão mesmo. Mas ela sabia se apaixonar de novo e [...]

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Se você pensa em mim? Tenho certeza que não. Se se lembra de mim, tenho certeza que sim. Pouca gente me olhava com esses olhos famintos que você tem. Menos gente ainda me tocava com essas mãos leves cheias de desejo, mesmo que fosse num gesto sem intenção nenhuma.
Você se lembra daquela festa onde a [...]

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(Continuação do post “Venha de novo, menina“, abaixo. Desce a tela!)
 
Se ao menos eu entendesse o que se passa dentro de você, se pudesse colocar os dedos aí dentro e embaralhar tudo de novo. Te escrevi cartas que nunca vou mandar, decorei versos que nunca irei dizer, digitei seu número de telefone tantas vezes e [...]

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Tudo o que eu queria dizer pra ela eram palavras tolas, frases meio feitas, coisa superficial que não revelava absolutamente nada. Estava cansado de querer muito mais do que podia dar. Não queria, não podia, não devia, mas principalmente não devia mostrar um fiapo de sentimento. Era perigoso demais. Então ficávamos assim, ela e eu, [...]

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Rinaldo

Rinaldo Castino, meu avô paterno. Dizem que era a pessoa mais doce que eu conheceria. Quando vovô Rinaldo faleceu eu tinha apenas seis anos, minha memória guarda muito menos lembrança do que eu gostaria.
Filhos de italianos também, originários de Piemonte, da Commune di Castino, onde todo mundo deve ser meu parente.
Eu não me lembro de [...]

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Chão branco

Eu sei que ela diz que está tudo bem, mas talvez não queira perguntas além do teu ombro, da tua mão vazia estendida. E eu sei que ela sabe que nem tudo é certo, que as luzes não estão acesas e nem sempre eu tenho algo de bom pra dizer. Parece que tem chovido sempre [...]

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Sempre haverá alguém esperando por você, onde quer que você esteja. Um pai, uma mãe, um amor, um filho, um amigo. E essa é a melhor certeza da vida.

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A gente brincando na garagem. Vovó vinha da sala, segurava no meu ombro e olhava nos meus olhos:
- Não aceite nada de ninguém.
- Tá, vó.
- Nada. Mesmo se disserem “olha, pega essa bala, uma delícia”. Mesmo se for igualzinha à bala Soft. Não aceite nada.
- Tá, vó.
- Se insistirem diga “não, obrigada”.
- Tá.
- Mesmo se [...]

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Vovô e eu, um dia qualquer de mil novecentos e oitenta e poucos. Provavelmente uma tarde. Provavelmente a cozinha, de azulejos portugueses branco e cor-de-vinho. Cheiro de café coado em coador de pano. Lata de manteiga Aviação em cima da mesa.
 
- Mi, vamos comprar pão.
- Italiano ou francês?
- Italiano.
- Quero francês.
- Italiano e ganha um [...]

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Joana

Bonita, bonita, ela nunca foi. Tinha o rosto manchado de puberdade, olhos caídos, muito negros, e de uma profundidade assustadora. Seus cabelos eram ruivos, quase cacheados, mas pareciam tão mal tratados quanto ela. Ah, Joana, se soubessem o quanto de água já escorreu por estes olhos fundos, o quanto de mágoa ainda reluta em permanecer [...]

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Começou assim: chuva e frio. Uma chuva dessas típicas deste lado, que não param por um minuto sequer. Já fui bem contrariada vender minhas goiabinhas, odeio o processo guarda-chuva… não sei, não me entendo com ele, tô sempre com a bolsa errada e a sensação de que ele não tá guardando porcaria de chuva nenhuma. [...]

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Como mulher é besta, né gente. Olha só o que a sociedade fez com os nossos corpinhos, a nossa mente! Tô aqui pensando em quanta coisa envolve alguns únicos momentos na vida de uma mulher. Recebi um email esses dias, infelizmente sem créditos, entitulado “Porque não sair com um Zé Ruela”. E a autora realmente [...]

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Quantas vezes caminho na beira do rio Tâmisa, com meu Ipod tocando alguma coisa entre Paolo Nutini e Roberta Sá. Tanta trilha sonora para um caminho que não chega a dez minutos, na beira do rio. Mas é lá, naquele curto espaço de tempo e de asfalto que eu me pergunto, todos os dias, o [...]

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O cenário da menina ruiva.

Se olhar bem a foto, tem umas pessoas subindo uma rampinha e dá pra ver a ponte atrás da árvore….

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Ah, se as pessoas fossem menos complicadas… Se arrancássemos as dores do peito, as longas noites de choro, se pudéssemos lamber as feridas do passado a ponto de estancá-las eternamente. Não, babe, nem todo mundo é igual. Nem todo mundo é ardido, sórdido, nem todo mundo machuca e é pesado. Ainda existem pessoas leves, ainda [...]

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